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“Pouco valor terá a catequese, mesmo substanciosa e segura, se não for transmitida com eficiência de expressão e apoio daqueles subsídios didáticos que hoje se apresentam sempre mais ricos e sugestivos”.
(João Paulo II)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Iniciação Cristã

A INICIAÇÃO CRISTÃ O QUE É?


O que é a “iniciação cristã”? “Iniciar” alguma pessoa em alguma coisa significa explicar-lhe o sentido do que ela pretende saber, fazer ou ser e levá-la a fazer experiência da nova realidade em que está sendo iniciada. A expressão “iniciação cristã” se refere ao caminho que se deve seguir para que uma pessoa conheça Jesus Cristo, aprenda a ser “cristã”, seguidora do Mestre. Isso envolve instrução, treino, aprendizagem e vivência.


Da mesma forma como o agricultor planta a sementinha de uma árvore frutífera e em seguida cuida para que a semente germine, cresça, forme tronco, ramos e folhas, e finalmente produza flores e frutos; assim também a semente da Palavra de Deus, semeada no coração de quem se aproxima de Cristo, deve ser cultivada para que germine, floresça e produza frutos de vida eterna. Isso é a iniciação cristã. Ela se dá pelo conhecimento da Palavra de Deus transmitida pela Igreja, pela fé em Jesus, pelo esforço de conversão, pela recepção dos sacramentos do Batismo, da Crisma (Confirmação) e da Eucaristia: são esses três sacramentos que “fazem o cristão”.


Vejo que você já levanta um questionamento. Você me diz: que sentido pode ter para mim a iniciação cristã, se fui batizado/a quando criancinha, fiz a primeira Comunhão sem ter muita noção do sentido da Eucaristia e recebi a Crisma entendendo muito pouco do que estava acontecendo?


Boa pergunta. Este é um dos problemas mais sérios da vida da Igreja, de modo especial no Brasil. Digamos que você nasceu num país católico (hoje, cada vez menos...), numa família católica, foi batizado/a criancinha, a catequese da sua paróquia deixou a desejar, nem sempre os/as catequistas se sentiam devidamente preparados, recebeu os sacramentos da Eucaristia e da Crisma atendendo ao pedido do padre, como queria a família, como manda o costume e... pronto. Você se tornou “cristão”; na prática, você “nasceu católico”... Entretanto, – agora lhe pergunto: você tem consciência do que significa “ser cristão”? Você vive de fato como “cristão”, isto é, como “seguidor de Cristo”? Eis o problema.


É que no fundo faltou a “iniciação cristã”. Você, criancinha, não podia tomar consciência de nada; a adolescência é um tempo difícil para todo mundo; sua família talvez não tivesse condições religiosas para lhe oferecer um ambiente de fato cristão; também pode ser que a sua comunidade eclesial não conseguia oferecer-lhe uma catequese adequada... O fato é que você “nasceu católico”, mas não houve o “desenvolvimento” de sua fé. A sementinha recebida no Batismo não germinou, não cresceu... Claro, não pode produzir frutos: este é o drama de grande parte do catolicismo brasileiro; este é também o grande desafio da catequese.


Se não houve iniciação cristã antes do Batismo porque a pessoa foi batizada sendo criancinha (o mesmo se diga dos sacramentos da Crisma e da Eucaristia), a iniciação deve ser substituída pela catequese. E se, por desgraça, a catequese falhar, está comprometida toda a educação da fé, toda a vida cristã. Resultado prático: muitos cristãos adultos precisam, hoje, de iniciação cristã que não tiveram antes do Batismo porque batizados como criancinhas e porque a catequese recebida após o Batismo foi insuficiente. Além disso, faltou-lhes o apoio cristão da família e da comunidade eclesial, sem falar do ambiente da sociedade que muitas vezes caminha em sentido contrário ao de Cristo. Por isso é que a catequese de adultos é tão importante quanto a catequese das crianças. Feliz a diocese, a paróquia, a comunidade que compreender esta realidade e providenciar a iniciação cristã para seus cristãos adultos e uma catequese adequada para suas crianças.



Faltando a iniciação cristã e uma catequese adequadas, os que se dizem “cristãos” não passarão de “crianças” em termos de fé e compromisso. A semente da Palavra de Deus que deu início à vida divina precisa germinar, crescer, produzir flores e frutos. Enquanto nossos católicos não passarem de “crianças” e não se tornarem “adultos na fé”, nosso cristianismo será sempre sem consequências práticas em meio à sociedade. Quando tivermos por todo Brasil catequistas bem preparados para essas tarefas e leigos/as maduros em sua fé, então teremos um Brasil “católico” de verdade, não tanto pelo número dos que se declaram tais no recenseamento, quanto pela qualidade da vivência de sua fé.
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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Iniciação Cristã

                                  A DIDAQUÉ: UM CATECISMO DO SÉCULO I

Às vezes a gente se surpreende perante afirmações, como que a Didaqué seria uma espécie de documento “papista”, quando na realidade é um documento precioso que, sem ser canônico e considerado apócrifo ou, como se diz mais elegantemente na atualidade, extra-canônico, nos aporta, seguindo os eruditos, preciosas informações de que como se organizou a fé cristã em seus começos, pouco após a morte-ressurreição de Jesus.

Eu mesmo, quando leio os livros extra-canônicos, me dá a impressão de que me caem das mãos. Porém, quando a gente da uma olhada em autores como Willy Rodorf e André Tuilier, Gerd Theissen, Crossan, Urbano Zilles, etc. A gente apreende a ler nas entre-linhas e a dar valor a textos que, mesmo não tendo sido aceitos pelas igrejas desde o início, nos falam daqueles primeiros tempos do cristianismo, daquelas igrejas primitivas, daqueles itinerantes, graças aos quais, a fé em Jesus Cristo foi se espalhando e estabelecendo em comunidades e igrejas. Por isso, vamos lá com a Didaqué.

1º. Sobre o documento.
a) A palavra grega “didaqué” quer dizer instrução, ensinamento ou doutrina dos Apóstolos, mesmo que ninguém acredite ser dos 12 apóstolos e sim, a experiência de umas das primitivas comunidades cristãs.

b) Este documento foi encontrado em 1883 por Philotheos Byrennios, no momento, metropolita de Sérrai na Macedônia, que publicou um manuscrito grego, datado de 1056. Desde 1887 permanece com o patriarcado de Jerusalém, onde é conhecido como o Códice Hierossimilitano 54. Outras versões parciais foram encontradas: uma geórgica, um fragmento em copto que se encontra no Museu Britânico, dois fragmentos em grego e um fragmento no papiro de Oxyrhynchos, datado entre os séculos IV e V. Em 1900 descobriu-se também uma cópia latina que se encontra no Museu de Munique, datada do século XI.

c) A Didaqué foi compilada, segundo uns autores, entre os anos 50-70, ou segundo outros entre os anos 90-100. Se foi redigida, mesmo que tenha sido apenas em suas primeiras partes, nos anos 50, estamos em plena época de São Paulo. Todos os autores estão de acordo em que a comunidade na qual foi escrita estaria situada na Palestina ou na Síria e, talvez na própria Antioquia.

d) Esta comunidade estava formada por judeu-cristãos que, provavelmente, começou acolher também alguns pagãos.

2º. Sobre o conteúdo.

a) Podemos dizer que, a Didaqué, é uma instrução, não teórica nem filosófica, senão para a prática da vida da comunidade e para os membros que vão chegando e sendo assumidos por ela. Seria, por assim dizer, o mais antigo catecismo formulado por uma das Igrejas primitivas. Os autores discordam sobre se, esta comunidade conheceria algum dos evangelhos que temos hoje ou não. Ou se teve aceso ao hipotético Evangelho Q (do alemão Quelle = Fonte) ou ainda, se conheceriam a hipotética Tradição dos Ditos Comuns, anterior ao Evangelho Q.

b) Trata-se de uma comunidade de origem judaica, pois acolhe o conhecimento antigo judaico. De todos modos, Jesus foi um judeu piedoso e poderia conhecer também tradições antigas. A Didaqué traz a pré-cristã “regra de ouro” de “não fazer aos outros aquilo que não queres que te façam” ou, em positivo, de “fazer aos outros aquilo que queres que eles te façam”, presente também no chamado Evangelho Q, deduzido de trechos comuns de Lucas e Mateus.

c) Seu conteúdo pode ser dividido em quatro partes:

I (I,1 – VI,2): Este trecho contém uma instrução para os novos membros que se resume no chamado, “Dois caminhos” que se encontra também em textos pré-cristãos judaicos. Caminho da vida ou caminho da morte. Pode-se resumir no caminho do bem e no caminho do mal. Daqui se acusa o documento como judaizante apesar de que também foi conhecido pelos padres apostólicos e que apareceu em outros textos cristãos dos primeiros séculos. Dentro das denúncias do mal aparecem tanto o aborto quanto a pedofilia. Parecem duas questões modernas? Pois não são! Trata-se de práticas bem antigas e radicalmente rejeitadas pela comunidade primitiva.

II (VI,3-X,7): Neste espaço encontramos, especialmente, as normas litúrgicas que regiam as orações comunitárias. Entre elas a celebração do batismo, praticamente, como o conhecemos hoje e uma celebração rudimentar eucarística e/ou ágape fraterno, testemunha da fé mais primitiva. É daqui donde surgem as acusações de “papismo” ao documento, pois naquela comunidade original se permite batizar em qualquer água: corrente, fria, quente, por imersão ou derramando três vezes água sobre a cabeça do batizando, sempre “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Também se fala sobre o dever de rezar o Pai Nosso, três vezes por dia e sobre a indispensável partilha ou ajuda constate para com os pobres.

III (XI,1-XV,4): Nestes capítulos descobrimos o seguinte: por um lado temos a comunidade estabelecida; por outro, a visita dos chamados “apóstolos e profetas” que nos dá conta de como eram aquelas primeiras igrejas. A comunidade estável era visitada pelos itinerantes, chamados dignamente como apóstolos ou profetas, que traziam a palavra inspirada como palavra do Senhor. (“Todo apóstolo seja recebido como o Senhor”, diz a Didaqué). Os autores querem descobrir uma tensão dialética entre o radicalismo dos itinerantes e a assunção de seus princípios pela comunidade estável. Por outro lado, do mesmo jeito que a comunidade primitiva acolhia com toda generosidade àqueles pregadores itinerantes, também compôs normas para se defender dos “falsos” profetas e apóstolos. Por exemplo, diz a Didaque, “todo profeta que ensina a verdade sem praticá-la é um falso profeta”. Parece ser que este princípio serve até hoje. “Aquele que disser, dá-me dinheiro ou qualquer outra coisa, não o escuteis...”. Evidentemente é um aproveitador. “Se ... é um comerciante de Cristo, acautelai-vos contra tal gente”. Quer dizer, que já no começo havia “comerciantes de Cristo”, (em grego “Christemporos, palavra em cujas raízes se encontram, “Cristo” e “empório”). Parece ser que nossos problemas modernos são bem antigos!

IV (XVI,1-8). Trata-se, como não poderia deixar de ser no cristianismo primitivo, de uns apelos apocalípticos finais.

Observações:
É claro que a Didaqué não é um documento canônico. O chamado cânon de Muratori, que é uma pequena lista de livros reconhecidos como revelados ou inspirados pela Igreja de Roma, composto na segunda metade do século II, não fala neste primeiro catecismo. Reconhece como inspirados os quatro evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João, o livro dos Atos dos Apóstolos, algumas das cartas de Paulo e João, etc. A Igreja de Roma não reconheceu como revelado nem mesmo o livro conhecido como o “Pastor” de Hermas, escrito pelo próprio Hermas, irmão de Pio I, bispo da cidade de Roma mais ou menos entre os anos 140 e 154, mesmo que o recomende como uma leitura piedosa.
Assim, pois, qualificar a Didaqué de “papista”, parece-me um anacronismo. A palavra “Papa”, não quer dizer nada além de “pai” e que o povo cristão deu, carinhosamente, ao Bispo de Roma. No momento em que a Didaqué foi redigida, a autoridade estava dispersa entre as Igrejas reconhecidamente apostólicas, isto é fundadas diretamente pelos Doze Apóstolos. Uma delas era a de Antioquia. Porque está autoridade? É simples: na época não havia evangelhos escritos. Qualquer lista de palavras ou fatos atribuídos a Jesus teria sempre que se contrastar com a palavra dos próprios Apóstolos ou teria que ser derivada deles. Apenas a partir da década dos sessenta até o final do século I é que se compõem os Evangelhos como os conhecemos hoje.


Isto não exclui a existência de outros evangelhos que, a partir do século II foram sendo redigidos em outras várias comunidades e colocados sob a autoridade de uns e de outros contemporâneos de Jesus e que conhecemos como apócrifos ou, melhor, extra-canônicos.

E, como disse anteriormente, não seria uma surpresa para os eruditos que aparecessem, numa ou noutra escavação arqueológica, coleções de ditos ou de feitos de Jesus, aos que eles já deram nome, por exemplo, o Evangelho Q ou a anterior Tradição dos Ditos Comuns.

Conclusão:

Os escritos extra-canônicos podem nos ajudar, se não a conhecer Jesus, ele mesmo, sim nos conduzem nos problemas, nos questionamentos, nas tensões, nos desentendimentos e no conhecimento do que foi que houve nos primeiros séculos do cristianismo.


Hoje, pensamos numa espécie de tronco comum, chamado cristianismo, do qual derivariam as Igrejas ou várias denominações eclesiais. Mas não foi assim. Podemos perceber que, na origem existiam as Igrejas ou comunidades de fé, fundamentadas ou alimentadas pela palavra “inspirada” de “apóstolos ou profetas” itinerantes. Especialmente, as Igrejas consideradas apostólicas ou, diretamente fundadas pelos Apóstolos. O nome de “cristão” e cristianismo veio depois e como um modo de pôr em ridículo os seguidores de um tal “Crestos” ou “Cristo”. Parece ser que este nome se deu, em primeiro lugar, para os seguidores de Jesus na Igreja de Antioquia.


É claro que, tudo isso não atinge a fé em Jesus Cristo, nosso Senhor, que por nós morreu e ressuscitou, mas nos ajuda a perceber uma longa história na institucionalização e vivência da fé nele. Quem sabe? Estes escritos não nos ajudam a todos a concretizar uma união entre as igrejas, de uma maneira nova e impensada ainda. Talvez, uma união, mais na prática do que na teoria, mais na ortopraxia do que na ortodoxia... Ao tempo!




| Pe. Agustin Juan Calatayud y Salom sj , Padre, Pároco de Nossa Senhora da Esperança.

domingo, 7 de agosto de 2011

Iniciação Cristã

Como ser Catequista de Iniciação Cristã?

O que é iniciação cristã?
Antes de tudo, iniciação cristã é colocar a pessoa em contato com Jesus (DA nº 288). É um experiência de encontro vivo e persuasivo que venha tocar, impactar, atrair a pessoa a Jesus Cristo como centro de sua vida. Trata-se pois de uma experiência, um encontro, um acontecimento impactante e transformante.
Com este encontro e experiência inicia-se o seguimento de Jesus por parte da pessoa humana. Normalmente a iniciação cristã prepara a pessoa para receber os sacramentos da iniciação: batismo, crisma, eucaristia. Para os que já foram batizados, mas não evangelizados a iniciação quer ajudá-los a viver com consciência, maturidade e compromisso a vida cristã. Portanto, a iniciação é um processo educativo com etapas bem delineadas, a saber: Encontro com Jesus, conversão, discipulado, inserção comunitária, celebração da fé e missão.
O catequista deve ser pessoa convertida, evangelizada, entusiasmada. Pessoa de oração diária, que fez a experiência do amor de Deus e dá catequese como um ato de amor. O catequista reflete em seu rosto a alegria, o entusiasmo, o encantamento por Jesus Cristo, seu reino e sua Igreja. Transmite uma experiência de vida, não uma teoria, nem uma doutrina racional e vazia.
O Catequista deve dar catequese com alegria. Os catequizandos são tocados pela alegria do catequista. Esta alegria toca, convence, inflama, atrai as pessoas ao seguimento de Jesus. Quanto mais alegria, tanto mais a catequese será agradável e convincente. A alegria é sinal da fé, manifesta a experiência feita do amor de Deus e o desejo de comunicá-la. O bom catequista tem fé, competência e metodologia, mas transmite tudo isso através da alegria.
O catequista que tem Iniciação Cristã fez a experiência do amor de Deus e quer mostrar, ensinar, divulgar a experiência do amor de Deus. Este amor vivido desperta o coração dos ouvintes. Quanto mais o catequista ama sua sala, seus catequizandos, tanto mais vai cativá-los no amor de Deus. Assim, os catequizandos sentirão a alegria de descobrir que são amados por Deus.
A catequese de Iniciação Cristã começa mostrando quanto amor Deus tem por nós, dando-nos Jesus na manjedoura, na cruz e no sacrário. A morte e ressurreição de Jesus são grandes provas do seu amor. O centro da catequese é mistério pascal, a morte e ressurreição de Jesus, por amor de nós. Assim toda a Escritura Sagrada é uma carta de amor. Os sacramentos são gestos, abraços e beijos do amor de Deus. Até o sofrimento, enquanto chance de conversão e crescimento, é também amor de Deus, advertência e providencia de Deus para o nosso bem. A Igreja é mãe amorosa que nos acolhe, batiza, crisma, perdoa, alimenta e reza por nós. A catequese é um ato de amor de Deus e da Igreja para nossa felicidade e salvação.
Uma catequese dada com amor e por amor e dada com alegria, suscita no coração do ouvinte a esperança de ser melhor, o desejo de mudar, a aspiração de se converter e se salvar e de ajudar os outros a descobrir este amor.
O catequista da Iniciação Cristã faz diariamente a meditação da Palavra de Deus, tem seu ritmo de silêncio, de escuta, de oração pessoal, precisa permanecer na “escola da Palavra” para interiorizar a mensagem e comunicá-la com ardor. É um contemplativo que transmite o que armazena em seu coração. A boca fala do que vem do coração. Na iniciação Cristã acontece a catequese apostólica: “Chamou-os, para estar com Ele e enviou-os a evangelizar” (Mc 3, 14-15).
O Catequista da Iniciação Cristã tem quatro pilares nos quais se afirma: 1) Oração diária, vida de oração que brota da fé. Deve ser mestre de oração. 2) Competência: é uma pessoa que estuda, faz cursos, tem o habito de leitura, procura cultivar-se. 3) É humano, isto é, tem cuidado, carinho, amor, ternura e responsabilidade pelos catequizandos. Tem um amor exigente que leva a serio sua missão. 4) Tem pedagogia e metodologia de ensino.
Fonte: Cartilha sobre a Iniciação Cristã - D. Orlando Brandes -

terça-feira, 19 de julho de 2011

FORMAÇÃO DE CATEQUISTAS

CATEQUESE
            UMA EXPERIÊNCIA TÃO ANTIGA QUANTO A IGREJA

               A catequese sempre foi considerada pela Igreja como uma das suas tarefas primordiais, porque Cristo ressuscitado, antes de voltar para junto do Pai, deu aos apóstolos uma última ordem: Fazerem discípulos de todas as nações e ensinarem-lhes a observar tudo aquilo que ele lhes havia mandado (CT).
O que é catequese?
                 • É o processo permanente de educação e aprofundamento da fé dos que já aderiram a Jesus Cristo e querem ingressar na comunidade.
                  • Catequizar é levar alguém, de certa maneira, a vivenciar o "Mistério de Cristo" em todas as suas dimensões.
A catequese tem por finalidade fazer com que a pessoa se ponha, não apenas em contato, mas em comunhão e intimidade com Jesus Cristo.
          Estudar a história significa olhar para trás e compreender muitos dos acontecimentos de hoje. Por isso de maneira bem suscinta esboçamos aqui alguns aspectos desta história
1º Fase - Século 1 até Século V
Tempo dos Apóstolos: a maneira mais forte de catequese era a vivência fraterna na comunidade e a celebração da Eucaristia (1 Cor 11, 17?29). Com o decorrer do tempo sentiu?se a necessidade de formular os "Símbolos de Fé" (Ex.: Credo), algumas aclamações litúrgicas (Ef 1,3?14) e algumas outras orações.
           E com isso foi se criando uma catequese mais prolongada e organizada, que tinha o objetivo de levar os convertidos à iniciação na vida cristã. Criou?se então o catecumenato nos seus vários graus. Muitas das obras sobre catequese dos Padres da Igreja surgiram nessa época, quando a catequese e a comunidade caminhavam juntas, pois a vida em comunidade fazia parte do conteúdo da catequese.
2º Fase - Mais ou menos Século V ao XVI
Período da Cristandade: Nessa época a catequese já não consistia numa iniciação à comunidade de fé como na fase anterior, pois a sociedade inteira, em todos os aspectos, era animada pela religião cristã. Isso era tão forte que chegou ao ponto de se estabelecer uma aliança entre o poder civil e eclesiástico. Nessa época a catequese se realizava pela participação na vida social, profissional e artística.
3º Fase - A partir do Século XVI ao XX
               Nessa fase houve uma preocupação maior com a aprendizagem individual esquecendo?se da comunidade como meio de catequese.
São fatores que provocaram essa mudança:
• Preocupação com a clareza e exatidão das formulações doutrinais, por causa das divisões ocorridas.
• Descoberta da imprensa e difusão das escolas dando início aos catecismos escritos.
• Influência do Iluminismo - que acreditava que se a inteligência humana estivesse devidamente instruída seria capaz de encontrar sozinha a solução para todos os problemas humanos.
4º Fase - Século XX
Fase em que se começou a redescobrir a catequese como processo permanente de educação da fé, redescobrindo?se que a comunidade é o lugar ideal para a iniciação cristã.
Os elementos que provocaram essa descoberta foram:
• Movimentos bíblicos, patrísticos, litúrgicos e querigmáticos, que contribuíram para revalorização da Bíblia, da liturgia e do anúncio de Jesus Cristo.
• As descobertas da psicologia, pedagogia e outras ciências humanas.
• Mais recentemente a renovação inspirada no Concílio Vaticano 11 (1962-1965), depois os Sínodos sobre Evangelização (1974) e Sobre a Catequese (1977). Os frutos desses Sínodos são as exortações apostólicas Evangelii Nuntiandí - Paulo Vi (Sobre a Evangelização no Mundo de Hoje - 1971) e Catechesi Tradendae - João Paulo 11 (Catequese Hoje - 1974).
• As transformações do mundo com o progresso, urbanização, explosão dernográfica, secularização.

FORMAÇÃO DE CATEQUISTAS

DOCUMENTO DA IGREJA SOBRE A CATEQUESE

Documentos da Igreja sobre a Catequese


Desde os primórdios, a Igreja sempre se preocupou com a difusão da mensagem de Jesus Cristo, tendo o cuidado de preservar sua verdade e de orientar os discípulos para que pudessem exercer seu ministério seguindo os passos do Mestre.
Assim, começando pelos Pais da Igreja, nos primeiros séculos, a comunidade cristã produziu documentos e catecismos para a evangelização.
O primeiro documento de que se tem notícia foi a DIDAQUÊ, o catecismo dos primeiros cristãos, escrito no século I da nossa era. Esse documento continha a doutrina que orientava os passos das primeiras comunidades.
Muitos outros catecismos e orientações pastorais foram dando impulso à missão catequizadora da Igreja, especialmente nos últimos séculos, e de forma mais intensiva após o Concílio Vaticano II.
Quem se dedica ao Ministério da Catequese, deve conhecer e estudar os principais Documentos da Igreja destinados à praxe catequética, indispensáveis para a fidelidade à mensagem de Cristo e à doutrina da Igreja.
Dessa forma, para auxiliar catequistas, apresentamos a seguir uma lista com os principais Documentos publicados a partir do Concílio Vaticano II.
CONCILIO VATICANO II (1962-1965)
O concílio foi convocado e aberto pelo Papa João XXIII e concluído pelo Papa Paulo VI. Os documentos do Concílio estão na base de toda a renovação da catequese. Neles, a Igreja aborda a catequese como missão primordial, tendo por base o espírito de Cristo e do Evangelho. A catequese é declarada pelo Concílio como o primeiro entre os meios pedagógicos da Igreja; e deve ser uma catequese bíblica, litúrgica e ecumênica, aberta aos problemas missionários. O Concílio propôs também a criação de centros catequéticos e a elaboração de um diretório catequético.
DIRETÓRIO CATEQUÉTICO GERAL - Congregação para o clero - 1971
Em obediência ao mandato conciliar que prescreveu a redação de um "Diretório para a instrução catequética do povo", no dia 11 de abril de 1971, o Papa Paulo VI aprova e promulga o "Diretório Catequético geral". Este diretório ajudou muito a Igreja no caminho de renovação da catequese, quanto aos conteúdos, à pedagogia e aos métodos empregados.
RICA - Ritual para a Iniciação Cristã de Adultos - 1972
Um dos primeiros frutos do Concílio foi o RICA, "Ritual para a Iniciação Cristã de Adulto", promulgado no dia 6 de janeiro de 1972, pela Congregação para o Culto Divino. Esse documento trouxe uma grande contribuição para a renovação catequética, atendendo ao decreto do Concílio que determinava a restauração do período de catecumenato para os adultos, como forma de resgatar uma formação cristã mais consciente e comprometida, celebrada a cada etapa pelos ritos sagrados, até chegar ao Batismo.
EVANGELII NUNTIANDI - A evangelização no mundo de hoje - 1975
Fruto das proposições da Assembléia Geral do Sínodo dos Bispos, celebrado em outubro de 1974, a exortação apostólica promulgada pelo Papa Paulo VI, "Evangelii Nuntiani", traz um importante princípio: "a catequese como ação evangelizadora no âmbito da grande missão da Igreja. A atividade catequética deverá ser considerada permanentemente participe das urgências e das ânsias próprias do mandato missionário para o nosso tempo" (Diretório Geral para a Catequese - 4).
SÍNODO DOS BISPOS - 1977
Com o tema "A catequese no nosso tempo,especialmente para as crianças e os jovens", o Sínodo convocado pelo Papa Paulo VI em 1977, vai refletir sobre a renovação da catequese para as crianças e jovens. O Sínodo afirma que o núcleo central de toda a catequese é o mistério de Cristo, fundamento da nossa fé e fonte da nossa vida. A catequese é proposta como "Palavra", "Memória" e "Testemunho". E deve ser obra corresponsável de toda a comunidade cristã.

CATECHESI TRADENDAE - A catequese hoje - exortação apostólica do Papa João Paulo II - 1979
João Paulo II retoma o tema "Catequese" do Sínodo de 1977 na exortação apostólica "Catechesi Tradendae". Ele diz: "Desejo que esta exortação apostólica corrobore a solidez da fé e da vida cristã, dê novo vigor às iniciativas que estão sendo postas em prática, estimule a criatividade e contribua para difundir nas comunidades a alegria de levar ao mundo o mistério de Cristo" (CT 4).
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA - 1992
Em 1992, o Papa João Paulo II promulga o novo Catecismo da Igreja. No prólogo do Catecismo se diz: "O presente catecismo tem por objetivo apresentar uma exposição orgânica e sintética dos conteúdos essenciais da doutrina católica tanto sobre a fé como sobre a moral à luz do Concílio Vaticano II e do conjunto da Tradição da Igreja. Suas fontes principais são a Sagrada Escritura, os Santos Padres, a Liturgia e o magistério da Igreja. O presente catecismo é destinado principalmente aos responsáveis pela catequese..." (CIC 11-12)
DIRETÓRIO GERAL PARA A CATEQUESE - Congregação para o clero - 1997
Este novo diretório acolheu as indicações propostas pela "Evangelii Nuntiandi" e a "Catechesi Tradendae" e também pelo Catecismo da Igreja Católica. Ele se divide em uma exposição introdutória que fala sobre o anúncio do Evangelho no mundo contemporâneo, outras 5 partes centrais, e a conclusão.
A parte central se divide da seguinte forma:
1. A catequese na missão evangelizadora da Igreja;
2. A mensagem evangélica;
3. A pedagogia da fé;
4. Os destinatários da catequese;
5. A catequese na Igreja particular.
Este novo diretório oferece reflexões e princípios teológico-pastorais fundamentais, inspirados no Concílio Vaticano II e no Magistério da Igreja, para levar à correta compreensão da natureza e dos fins da catequese, bem como das verdades e dos valores que devem ser transmitidos. (cf. DGC - 9)

A catequese no Documento de Aparecida
A Catequese é ministério da nossa Igreja, e como tal deve seguir as orientações e normas que a Igreja propõe. Assim sendo, os catequistas que se colocam a serviço desse ministério devem conhecer bem qual o caminho que a Igreja traça para a caminhada da Catequese e aplicar-se com dedicação para trilhar esse caminho.
A melhor forma de conhecer o que a Igreja propõe é através dos Documentos que ela publica, destinados a traçar as diretrizes da ação catequética.
Por esse motivo, apresento a vocês uma síntese dos textos do Documento de Aparecida, com as conclusões da V Conferência do Episcopado Latino Americano e do Caribe, que fazem referência à Catequese. Esses textos são importantes e devem ser conhecidos e refletidos, buscando-se a melhor forma de aplicar as recomendações do V CELAM na Catequese paroquial.
(Os números citados no final dos parágrafos se referem ao número do parágrafo do Documento)
O Documento de Aparecida fala dos resultados fecundos que a renovação da catequese produziu não apenas na América Latina, mas que ressoou na América do Norte, Europa e Ásia graças aos missionários latino-americanos e caribenhos (DA99a)
No entanto, também fala de aspectos que devem ser cuidados, como é o caso das "linguagens pouco significativas" para a cultura atual e especialmente para os jovens, que dificulta a transmissão da fé e faz com que a Igreja tenha uma presença incipiente principalmente no meio universitário e na mídia(DA100d).
Entre outras coisas, Aparecida fala da necessidade de estudo do Diretório Ecumênico e das suas indicações em relação à catequese (DA 231).
Outra questão importante é a do discipulado, que exige o aprofundamento da fé em Jesus, apontando a catequese permanente, juntamente com a vida sacramental, como meio de fundamental importância no fortalecimento da conversão e no incentivo à perseverança da vida cristã (278c).
A catequese permanente deve ser a responsável pela definição da identidade cristã forte e inabalável que dê aos católicos a consciência de sua missão no mundo (286).
Mas essa catequese deve ter o caráter de experiência que leve ao " encontro com Cristo e à feliz celebração dos sacramentos capacitando o cristão para transformar o mundo". Essa catequese é chamada de "mistagógica" (290).
Tendo em vista a necessidade de assumir o anúncio do Evangelho para aqueles que desejam tornar-se membros da Igreja, a Catequese não deve apenas renovar-se no modo de ser, mas deve tornar-se o processo de formação adotado em todo o continente como catequese básica e fundamental para a iniciação cristã. Essa formação inicial terá continuidade, depois, na catequese permanente, no processo de amadurecimento da fé que é imprescindível (294-295).
A catequese é a responsável pelo fortalecimento da identidade católica pessoal e fundamentada que promove a adesão a Cristo. E essa tarefa é de todos os cristãos católicos (297)
Assim, a catequese não deve se restringir à preparação dos sacramentos, mas deve ser um processo permanente, orgânico e progressivo que se estenda por toda a vida. E nesse processo permanente a catequese com adultos é fundamental (298).
Nesse contexto, a catequese também não pode ser apenas doutrinal, mas deve educar a pessoa por inteiro, cultivando o relacionamento com Jesus na oração, na celebração litúrgica, na vivência comunitária e no serviço aos irmãos (299).
A Catequese deve ser missionária, indo até as famílias e aproveitando pedagogicamente a religiosidade popular, em especial a religiosidade mariana, como ponto de partida para o processo de iniciação cristã. Dessa forma, se pode apresentar o conteúdo da fé ao mesmo tempo em que se conduz à oração familiar e à leitura orante da Palavra e conseqüentemente ao desenvolvimento das virtudes evangélicas (300).
O Documento de Aparecida ressalta a importância da catequese familiar, como proveitosa e eficiente na formação conjunta de pais e filhos, propiciando para que todos se tornem testemunhas de fé na comunidade (303).
As reflexões de Aparecida apontam ainda que a Catequese deva perpassar o caminho de formação em outras instâncias: nas escolas católicas (338), na sociedade (385), na pastoral da juventude (446), na pastoral familiar e nos movimentos a ela ligados (463ª) e nos meios de comunicação social (485).
A Catequese deve expressar-se por muitos meios, inclusive através da arte (499). E não pode prescindir de seu papel de formação social, pois " a vida cristã não se expressa somente nas virtudes pessoais, mas também nas virtudes sociais e políticas" (505).

domingo, 10 de julho de 2011

Família

A família cristã é uma verdadeira Igreja doméstica: comunidade de fé, esperança e de caridade.

“A família cristã é uma comunhão de pessoas, vestígio e imagem da comunhão do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Sua atividade procriadora e educadora é o reflexo da obra criadora do Pai. A família é chamada a partilhar a oração e o sacrifício de Cristo. A oração cotidiana e a leitura da Palavra de Deus fortificam nela a caridade. A família cristã é evangelizadora e missionária.” (Catecismo da Igreja Católica nº 2205)

É de grande importância a tarefa evangelizadora e missionária da família.
“À medida que a família cristã acolhe o Evangelho e amadurece na fé, torna-se comunidade evangelizadora.”
(João Paulo II – A missão da família cristã no mundo de hoje, 52)

Em seu memorável documento “Evangelização no mundo contemporâneo”, Paulo VI fala da missão evangelizadora da família:

“No conjunto daquilo que é o apostolado evangelizador dos leigos, não se pode deixar de por em realce a ação evangelizadora da família. Nos diversos momentos da história da Igreja, ela mereceu bem a bela designação sancionada pelo II Concílio do Vaticano: ‘Igreja doméstica’. Isso quer dizer que, em cada família cristã, deveriam encontrar-se os diversos aspectos da Igreja inteira. Por outras palavras, a família, como a Igreja, tem por dever ser um espaço onde o Evangelho é transmitido e donde o Evangelho irradia.

No seio de uma família que tem consciência desta missão, todos os membros da mesma família evangelizam e são evangelizados. Os pais, não somente comunicam aos filhos o Evangelho, mas podem receber deles o mesmo Evangelho profundamente vivido. E uma família assim torna-se evangelizadora de muitas outras famílias e do meio ambiente em que ela se insere.”

“A futura evangelização depende em grande parte da Igreja doméstica. Esta missão apostólica da família tem as suas raízes no batismo e recebe da graça sacramental do matrimônio uma nova força para transmitir a fé, para santificar e transformar a sociedade atual segundo o desígnio de Deus.”

A família cristã, sobretudo hoje, tem uma especial vocação para ser testemunha da aliança pascal de Cristo, mediante a irradiação constante da alegria do amor e da certeza da esperança, da qual deve tornar-se reflexo: ‘A família cristã proclama em alta voz as virtudes presentes do Reino de Deus e a esperança na vida bem-aventurada.’

O mistério de evangelização dos pais cristãos é original e insubstituível: assume as conotações típicas da vida familiar, entrelaçada como deveria ser com o amor, com a simplicidade, com o sentido do concreto e com o testemunho do quotidiano.

A família deve formar os filhos para a vida, de modo que cada um realize plenamente o seu dever segundo a vocação recebida de Deus. De fato, a família que está aberta aos valores do transcendente, que serve os irmãos na alegria, que realiza com generosa fidelidade os seus deveres e tem consciência da sua participação quotidiana no mistério da Cruz gloriosa de Cristo, torna-se o primeiro e o melhor seminário da vocação à vida consagrada ao Reino de Deus.”

Caros Pais, “a família participa na vida e na missão da Igreja segundo uma tríplice ação evangelizadora: no seu interior, na comunidade a que pertence e na Igreja em âmbito universal” (João Paulo II)

Para realizar essa missão é preciso cultivar a harmonia no seu interior e saber abrir-se, acolhendo, para as outras pessoas e outras famílias. Assim poderá ser um caminho para conduzir até Nosso Senhor Jesus Cristo.

“Fortalecer a vida da Igreja e da sociedade a partir da família: enriquecê-la a partir da catequese familiar, a oração no lar, a Eucaristia, a participação no Sacramento da Reconciliação, o conhecimento da Palavra de Deus, para ser fermento na Igreja e na sociedade.” (Santo Domingo, 225)

Oração:
Ó Deus, que pela vossa Lei
destes à família um fundamento inabalável,
concedei-nos seguir o exemplo de Vosso Filho
para que, praticando as virtudes domésticas
e o amor para com todos
alcancemos o prêmio eterno na alegria
de vossa casa.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo vosso Filho
na unidade do Espírito Santo. Amém. (Missal – Oração do dia)

(Aulas do Catecismo da Igreja Católica nº 936 - Texto elaborado por Madre Maria Helena Cavalcanti – Madre Geral e Fundadora da Congregação de Nossa Senhora de Belém)

JESUS

A HISTÓRIA DE JESUS

Os Evangelhos são livros de testemunhos da fé dos Apóstolos e de suas comunidades em Jesus. Mas uma fé que brota do fato histórico e concreto de Jesus de Nazaré: sua vida, sua paixão e sua morte. Ele é Judeu proveniente do povo de Israel. Judeus também eram sua mãe e seu pai, e os amigos que reuniu e aos quais pediu que o seguissem. (Mc 1, 16-20;2, 13-14).

Praticamente passou toda a sua vida e exerceu toda a sua atividade em seu país: Galiléia. Lá como em todos os lugares e em todos os tempos existiam diferentes tipos de pessoas, de classes sociais, de partidos. O Estado judeu era o Estado do Templo, ou seja, o Templo era o centro da nação; a Lei sagrada era a base da legislação e de toda a vida dos Judeus. Jesus não foi sacerdote, Fariseu, Escriba, nem Saduceu ou Herodiano. Ele foi um homem simples, trabalhador, livre que fez o que tinha que fazer na terra sem medo de ninguém (Mt 23, 4-33. Mc 3, 5-7;8,33).
Com Maria e José, esposo de Maria, Jesus vive num lugar pobre e simples. Maria teve de amamentar Jesus e limpa-lo, ensina-lo a andar a falar e como toda mãe amou e cuidou de seu filho. E Jesus, como todos nós, também, chorava, se sujava, fazia “malcriações” inocentes. Ele não sabia de tudo desde o começo (Mc 13,32).

E Jesus foi crescendo e amadurecendo, pouco a pouco, com esforço, com limitações, como toda criança, todo o jovem, todo homem (Lc 2, 52). Sofreu a pobreza radical nas dificuldades do dia-a-dia e viveu trinta anos ma aldeia de Nazaré. Ele encontrou na oração a essência do homem e é uma necessidade humana vital; Ele sente tentações, sendo posto à prova diariamente e tem de enfrentar diversas opções (Jô 6, 14-15; 7, 1). Retira-se para o deserto para descobrir qual é a vontade de Deus, e como a maioria dos Judeus de seu tempo, Ele também ouviu falar de João Batista. Procurou-o e recebeu o Batismo como qualquer um do povo. Jesus dedicou-se a pregar o Evangelho da salvação e da alegria (Mc 1, 15). A Boa Nova que Jesus leva a todos os lugares é:

 
• O Reino de Deus já chegou. (Lc 11, 20; 17, 21).
• O Reino é para a salvação de todos. (Mc 2, 17 e Lc 19, 10).
• Deus é Pai e ama seus filhos.
• Para entrar no Reino é preciso ter fé em Jesus (Mc 8, 29-30), mudar de vida (Mc 10, 21. Lc 19, 1-10) e seguir Jesus incondicionalmente (Mc 8, 34-37. Lc 9, 57-62. Jo 11, 26).


Jesus inicia o seu ministério na Galiléia e agrupa alguns homens simples ao seu redor, em sua maior parte pescadores e um coletor de impostos (Mateus). Em suas Pregações, Jesus fala com freqüência através de Parábolas: são comparações elaboradas, espécies de histórias para ilustrar de maneira bem clara aquilo que Ele quer dizer. Refere-se, sobretudo ao Reino de Deus: o que acontece, o que é exatamente, sua importância, as disposições exigidas ao homem para que possa entrar no Reino.

Jesus, ao realizar os Milagres, mostra a sua importância na mensagem que desejava transmitir de forma clara, mas que só a fé poderia entender (Mc 3, 22). Ele não realizava milagres em benefício próprio, mas sim manifestava o amor de Deus aos homens, que fazem retroceder o mal, que convidam os homens à conversão e à ação de graças. Jesus nunca curou alguém. Eram as pessoas que vinham até Ele e pediam para serem curadas. Ele sempre dizia: “Vá, a tua fé te salvou!” ou “Vá, que a tua fé te curou!”, provando que era a fé das pessoas Nele que as curava, era o desejo delas de ficarem curadas. (Jo 11, 26).